One Young World: concluindo.
Como escrevi nesse post, foi graças a esse evento que eu pude fazer minha viagem para Londres. Passagem de ida e volta e alguns dias de hospedagem de graça :) Foi um evento para que jovens de todos os países do mundo (no final, foram pessoas de 102 países) tivessem a chance de discutir sobre os problemas globais e mesmo regionais. Foi a primeira vez que foi realizado, e no ano que vem acontecerá na África do Sul, França, ou Estados Unidos (ainda não foi decidido).
Bem, como foi o primeiro, ninguém sabia muito bem o que iria acontecer; durante os três dias de duração, conheci muitas pessoas legais, ri muito, aprendi muito.
Ao chegarmos, minha conclusão foi a de que passaríamos todos os três dias assistindo palestras. Eu esperava que o evento fosse mais interativo. Juro… O primeiro dia não foi muito feliz nesse aspecto: as pessoas ainda estavam se conhecendo, começando a entender o que seria feito. Um dos convidados ia até o microfone, lia uma dissertação sobre um dos temas do dia (aquecimento global, poder da mídia, interação religiosa, etc.), que durava mais ou menos quinze minutos (mas alguns duraram BEM mais), e ao final, quem quisesse poderia ir até os microfones espalhados pelo salão para fazer comentários sobre o tema (ou sobre qualquer outra coisa…) por no máximo dois minutos. Entre as leituras, alguns dos convidados falavam um pouco sobre o tema relacionado.
No dia da inauguração, visitamos o local das Olimpíadas de 2012 em Londres, e quase congelamos. Brr.
Ouvindo nossa guia falar sobre o projeto, novamente percebo a diferença entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos: existe uma preocupação tão enorme do governo inglês com os trabalhadores envolvidos e o que farão depois que as Olimpíadas terminarem, em desenvolver a área de East London, em trabalhar para que a área construída para o evento continue sempre útil…

Fizemos um “tour” de ônibus pelos pontos turísticos da cidade, e apesar de ser muito legal viajar fazendo seu próprio roteiro, também é ótimo ter uma pessoa te contando a história da cidade, porque tal estátua foi erguida em tal lugar e porque tal rua tem tal nome. É bem interessante!
Depois do tour do ônibus, entramos em um barco com todos os outros participantes do OYW e passeamos pelo Tâmisa. Foi o meu passeio preferido (apesar de a temperatura no rio parecer ainda mais baixa D=)! Ver passando os pontos turísticos da cidade pelo rio… Passamos embaixo de várias pontes famosas.. lol!

Assistimos a um show da Corinne Bailey Rae (que só a Talita sabia quem era, mas parece que é famosa..) e a um coral de crianças. O coral foi bonitinho, mas nada de mais.

Depois, as pessoas importantes começaram a falar: Boris Johnson, prefeito de Londres, que muita gente chama de flamboyant. Desmond Tutu, que deve ser o ativista mais simpático e engraçado do mundo, nos ensinou que o segredo para o sucesso é ter um nome fácil e pernas sexy. Bob Geldof, que me deu medo, porque falou de um jeito bem apocalíptico sobre o futuro e me deixou com a consciência um pouco pesada. E também pude cumprimentar o Clarence Seedorf com alguns outros brasileiros – a mulher dele é brasileira e ele fala português :o pra ser sincera eu nem sabia quem ele era, mas, o que importa, certo? Agora eu sei :D

No dia seguinte, o evento de fato começou. Assistimos palestras. Alguns dos participantes falavam por um ou dois minutos em um dos quatro microfones espalhados pelo salão. Almoçávamos. Escutávamos palestras. Votávamos em “resoluções” generalistas que seriam enviadas para líderes mundiais.
Eu gosto de assistir a palestras sobre assuntos interessantes. Mas não poder discuti-las durante o evento com o restante dos convidados, que aliás, é a razão pela qual você está ali para começar…
Ficamos como expectadores somente.
O segundo dia foi muito mais legal, não só porque os temas eram mais polêmicos, mas porque alguns participantes começaram a se “revelar”: os comentários mais interessantes vinham dos microfones, mas os organizadores insistiam para que fossem curtos, para “permanecermos no horário”. Tivemos um momento Marcia Goldschmidt totalmente inesperado (e indesejado), em que uma participante do Oriente Médio foi até o palco e começou a fazer revelações extremamente pessoais.
Um príncipe norueguês apareceu e falou sobre dignidade global, e depois que John Hope Bryant nos perguntou se éramos “águias” ou não, uma participante empolgada demais tomou o microfone e… Bem, me pergunto se a menina tinha tomado um pote de estimulantes ou alguma coisa assim. Adoraria que alguém tivesse posto o vídeo da menina-águia no YouTube, mas pelo jeito, não aconteceu.
No terceiro dia, os organizadores continuavam bem preocupados com horários, mas os participantes nem tanto. Vimos mais palestras, e mais pessoas importantes. Um tweet meu apareceu no telão – foi o primeiro a aparecer e o que ficou por mais tempo, e não ligo se ninguém sabia quem eu era, foi legal mesmo assim e não acredito que eu não tirei foto. :p
E aí a coisa descambou de vez. Tivemos uma palestra com o presidente da Burt’s Bees que mais parecia um comercial televisivo. “Porque nós, da Burt’s Bees, nos preocupamos com a sociedade!” Eu ODEIO esse tipo de coisa.
Os organizadores não paravam de falar sobre a “entrevista com a BBC” que faríamos às 17:30. Tivemos alguns pré-barracos com os microfones: os participantes queriam falar mais, vários comentários eram extremamente interessantes, mas sempre eram interrompidos “para não sairmos do horário”.
Começou a entrevista com a BBC: o apresentador mais irritante que já deve ter nascido na superfície deste planeta disse que seis milhões de pessoas ouviam o programa – e eu pensei, minha nossa, seis milhões de pessoas vão pensar que o One Young World foi uma versão britânica da Sônia Abrão.
Para terminar: o evento me mudou em alguns aspectos. Escutei tanta gente incrível da minha idade falar sobre o que faz para tornar o nosso mundo um lugar muito melhor. Sempre me preocupei com animais, mas não tanto com pessoas – o que não valida o argumento acéfalo que às vezes propõem a vegetarianos (”tanta gente passando fome no mundo blá blá e você tá preocupada com o porquinho“), até porque 100% das vezes que escutei isso, a pessoa que questionou não se mexia pra melhorar absolutamente nda :D
Gostei de ter participado do evento; poderia ter sido melhor, mas não foi, de modo algum, um desperdício. Me sinto inspirada para realmente fazer algo de bom pelo mundo, conheci muitas pessoas interessantes e inspiradoras, e passei a ser Embaixadora do OYW… lol!
E, o mais importante, ri muito no hotel em que todos ficamos… Acho que nunca ri tanto na vida…
Site do One Young World: link




Mar 21, 2010 @ 05:40:22
PAAAAAAAAAAARA TUDO! CORINNE BAILEY RAE?? OMFG OMFG OMFG!!
Eu a adoro! Ela ficou conhecida no Brasil pela música “Put Your Records On”, só tocava isso no rádio, aff. Mas ela é ótima cantora, voz macia. Sempre que eu ouço as canções dela me sinto mais leve, rs.
Legal também que você conheceu o valor social que os ingleses incutiram nas Olimpíadas 2012. Realmente é algo de país desenvolvido. Na época da disputa pra país sede dos jogos olímpicos de 2014, eu vi um especial na Record que mostrava as mudanças que o evento trouxe para as cidades sede… os estádios e complexos aquáticos foram abertos ao público, houve melhorias no transporte, na infra-estrutura, etc. Duvido muito que isso aconteça no Brasil… vai ter superfaturamento, vão fazer mudanças paliativas para absorver a demanda e, depois que as Olimpíadas terminarem, os estádios serão fechados, as linhas extras serão extintas, a segurança vai acabar. ¬¬
Tenho vontade de participar do OYW pelo que você contou… apesar de não estar totalmente organizado e estruturado, acho que é uma oportunidade interessante pra discutir esses assuntos com pessoas com outras mentalidades, outras culturas, né? Quem sabe…
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Mariana Reply:
March 27th, 2010 at 02:19
ahuaheuaheua
pois, a Talita nos esclareceu que ela tinha criado essa música…
acho que todo mundo deve tentar participar do OYW, no ano que vem com certeza será muito melhor!
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Mar 21, 2010 @ 05:14:54
Que legal! Deve ter sido bem interessante tudo isso.
Como é que faz pra participar disso?
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Mariana Reply:
March 27th, 2010 at 02:17
ah, vc tem que mandar umas redações pros patrocinadores que participam dizendo porque vc deve ser escolhida pra participar. basicamente é isso, no site tem o lugar pra onde mandar, mas acho que agora só ano que vem msm
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Mar 21, 2010 @ 03:27:11
Parece ter sido muito legal, apesar de como vc disse, poderia ter sido melhor. Nossa, imagino o tanto de coisa interessante q vc ouve e tal. Nessas horas deve dar aquela nostalgia em que vc acha q a partir de entao vai mudar completamente e fazer algumas coisas e sente toda a inspiração. O unico problema é que a empolgação de depois é bem menor do que a do momento. Pelo menos eu já senti esse tipo de coisa… Mas mesmo assim, muita coisa fica.
Mari, sabe que esse discurso contra vegetarianos “(”tanta gente passando fome no mundo blá blá e você tá preocupada com o porquinho“)” pode ser revidado com o fato de que, a maior parte da agricultura acaba em cereais para a pecuária, e que no processo: grão > vaca > gente (por exemplo), boa parte da energia inicial é perdida, sendo que com todos os grãos produzidos no mundo, é possivel alimentar TODA a população mundial e mais.
Tá, só não pergunte porque eu AINDA não sou vegetariana.
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Mariana Reply:
March 27th, 2010 at 02:16
minha empolgação não diminuiu, por incrível que pareça
na verdade entrei com algumas ongs na volta, e basicamente todas me desprezaram..
brincadeira… só disseram que eu ainda não tinha as qualificações necessárias pra ser voluntária, mas depois que eu terminasse a faculdade seria muito bem-vinda…
enquanto isso me limito a doar dinheiro…
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